Inspiração: O som da Guerra dos Tronos

Texto originalmente publicado no Escambau.


Tudo que eu sinto é… Tudo que eu vejo é… Ascensão e queda quando a Guerra dos Tronos começa…

Como sempre foi desde tempos imemoriais, uma boa história nos inspira e nos faz viver aquilo que não somos capazes (ou somos) de viver, faz-nos sonhar e seguir em frente. Muitas vezes, aqueles personagens com os quais nos identificamos tanto saem do papel e da tela de nossos leitores digitais para perambular por nossas mentes por meses, anos. Talvez para sempre. E muitas vezes eles ganham vida sob outras formas.

Os membros do Blind Guardian, uma banda de power metal alemã fundada em 1987, sempre nos presenteiam com excelentes joias musicais baseadas em filmes e obras literárias. Quem conhece a banda sabe que obras como “O Senhor dos Anéis”, “O Silmarillion”, “A Torre Negra”, “Duna”, “Dragonlance”, “Guerra dos Tronos”, “A Roda do Tempo” e “Ilíada” já passaram pelas mãos dos bardos do metal. Sempre por dentro das novidades do mundo fantástico, a banda costuma tomar a vanguarda e espalhar o conhecimento dessas pérolas literárias para seus ouvintes. Qual fã nunca se apaixonou por uma letra deles e descobriu um excelente livro? Ou leu um livro e descobriu que a banda já fez uma música sobre sua história? É um sentimento único que nos faz admirar e ter um pouco de inveja branca da criatividade deles.

 

Aproveitando que estou lendo Crônicas de Gelo e Fogo (sim, pela primeira vez), gostaria de falar sobre duas músicas dos bardos alemães, A Voice in the Dark e War of the Thrones, lançadas em 2010, na época em que a série de TV ainda não era nem um embrião. Lembrando que, de agora em diante, exercerei meu direito de contar spoilers do primeiro livro.

A primeira música citada, Uma Voz no Escuro, se inicia falando de um corvo e de uma queda, e com agitação e emoção a banda nos conta:

Ainda que eu sinta sua presença

Há um sinal a ser revelado

Então, finalmente

Estou certo de que continuarei caindo

(…) 

Eles enviam um sinal

De quando o inverno mortal chegará novamente

Das ruínas eu desperto

 Para quem conhece a história, lembra imediatamente de Bran, filho de Eddard Stark, “caindo” das ruínas de uma torre após ver a rainha Cersei em um ato de traição. E toda agonia do momento está inserida na música, que vai se intensificando tanto quanto a história. A queda de Bran, o sonho com o corvo, a esperança de voar, os sinais de tempos sombrios… Tudo está lá.

A segunda música, Guerra dos Tronos, já é óbvia pelo nome. Uma balada com todo o clima medieval do livro, ela está recheada de referências como as que cito a seguir, quase não mencionando nenhum nome dos livros, mas sendo tão óbvia como um corvo é capaz de voar.

Nada crescerá aqui

Campos congelados – tristeza sombria

(…) 

Estou atrasado demais

Isto é mais que um jogo

(…) 

Tudo que sinto é…

Tudo que vejo é…

Muralhas caindo

Quando a marcha dos Outros começa

—-

A música muitas vezes acende a centelha da inspiração, fazendo com que nasça em nós aquela vontade de compor uma nova música, de escrever um novo livro, de conhecer um novo lugar ou simplesmente de sonhar.

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